Quando as aderências se formam ao redor das trompas e dos ovários, a anatomia normal da pelve pode ficar distorcida. Nessa situação, a tuba pode perder mobilidade e ter dificuldade para captar o óvulo, mesmo quando o seu interior está relativamente preservado.

A salpingo-ovariolise por via minimamente invasiva é a cirurgia feita para liberar essas aderências e tentar restabelecer a relação entre trompa e ovário. Ela pode ser considerada em mulheres com infertilidade tubária selecionada que desejam priorizar a gestação natural, mas não substitui a avaliação global da fertilidade do casal e não garante gravidez.

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O que é a salpingo-ovariolise por laparoscopia?

A salpingo-ovariolise, também chamada de adesiólise peritubária/periovárica, é o nome dado à divisão das aderências que envolvem a trompa e o ovário.

Essas aderências podem estar relacionadas à endometriose, doença inflamatória pélvica, cirurgias prévias e outros processos inflamatórios da pelve.

Se houver doença associada, o tratamento pode incluir, no mesmo ato, a cirurgia para endometriose com liberação de aderências, sempre com o objetivo de restaurar a anatomia pélvica da forma mais conservadora possível.

A cirurgia robótica é a via preferida para esse tipo de abordagem na maioria dos casos, porque permite tratar a pelve por pequenos acessos, com visualização ampliada, movimentos mais delicados e precisos que a laparoscopia e recuperação mais rápida do que na cirurgia aberta.

Quando a salpingo-ovariolise pode ser indicada?

A salpingo-ovariolise pode entrar na discussão quando existe suspeita ou confirmação de aderências peritubárias ou periováricas em mulheres com dificuldade para engravidar, especialmente quando a anatomia parece potencialmente reparável.

Em geral, a cirurgia faz mais sentido quando se busca concepção natural e quando outros fatores importantes, como reserva ovariana muito reduzida ou alteração seminal relevante, não são o principal obstáculo.

A avaliação também precisa considerar a extensão do dano tubário. Aderências finas e localizadas costumam ter prognóstico melhor do que doença tubária extensa, hidrossalpinge importante, lesão fimbrial avançada ou combinação de obstrução proximal e distal.

Nesses cenários, a melhor estratégia pode não ser uma salpingo-ovariolise isolada. Dependendo do achado intraoperatório, pode ser mais adequado associar outro procedimento, como a fimbrioplastia, tratar endometriose concomitante ou até indicar outra linha terapêutica.

Também é importante dizer o que a salpingo-ovariolise não é: ela não faz parte da avaliação rotineira de toda mulher infértil. A laparoscopia ou cirurgia robótica costuma ser reservada para quando há suspeita de patologia pélvica, como endometriose, aderências anexiais ou alteração em exames de patência tubária, ou quando existe outra indicação cirúrgica associada.

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Como é feita a avaliação antes da cirurgia?

O planejamento começa com história clínica detalhada, revisão dos exames já realizados e investigação do casal como um todo.

Quando se cogita cirurgia reparadora das trompas, alguns exames podem ser importantes na avaliação, como:

  • Histerossalpingografia;
  • HyCoSy;
  • Ultrassom transvaginal especializado com preparo intestinal;
  • Espermograma;
  • Avaliação da reserva ovariana;
  • Exames prévios relacionados à endometriose, aderências ou alterações pélvicas.

Se a cirurgia robótica for indicada, a equipe pode aproveitar o mesmo ato para tratar outras condições e avaliar o resultado do tratamento no mesmo momento, ao testar a passagem de contraste pelas trompas com a cromotubagem.

Como a salpingo-ovariolise laparoscópica é realizada?

A cirurgia é feita com anestesia geral. Pequenos furos no abdome de aproximadamente 1 cm permitem o acesso da câmera e das pinças.

A partir daí, o cirurgião realiza uma dissecção delicada para soltar as traves fibrosas, recuperar a mobilidade dos anexos e restabelecer, na medida do possível, a relação tubo-ovariana.

Em alguns casos, a salpingo-ovariolise é o procedimento principal. Em outros, ela faz parte de uma cirurgia mais ampla.

Se houver estreitamento ou aglutinação das fímbrias, por exemplo, pode haver indicação de fimbrioplastia. Se o problema principal for endometriose associada, o tratamento pode incluir a excisão da doença no mesmo tempo cirúrgico.

Por isso, a definição final da melhor estratégia muitas vezes depende do que é encontrado durante a cirurgia.

O que a cirurgia pode e o que ela não pode fazer?

O principal objetivo da salpingo-ovariolise é restaurar a anatomia e a mobilidade das estruturas, reduzindo o impacto mecânico das aderências sobre a fertilidade.

Em pacientes bem selecionadas, isso pode devolver a possibilidade de gestação espontânea. Mas é importante ser objetiva: liberar aderências não corrige todos os tipos de infertilidade.

Se houver dano interno importante da tuba, perda relevante da função fimbrial, hidrossalpinge avançada, idade reprodutiva mais elevada, baixa reserva ovariana ou fator masculino associado, a cirurgia pode ter benefício limitado.

Em outras palavras, a anatomia externa pode melhorar sem que isso se traduza necessariamente em gravidez natural.

Além disso, os resultados publicados são heterogêneos e dependem muito da seleção do caso e da experiência da equipe cirúrgica.

Recuperação após salpingo-ovariolise

De modo geral, a recuperação após a cirurgia robótica ou laparoscopia é bem mais rápida e menos dolorosa do que após cirurgia aberta, com corte semelhante ao da cesárea.

Em casos sem intercorrências, a alta pode acontecer no mesmo dia ou no dia seguinte pela manhã, mas isso varia conforme a extensão do procedimento e a necessidade de tratar outras alterações pélvicas no mesmo tempo cirúrgico.

Nos primeiros dias, é esperado algum desconforto abdominal e limitação maior para esforços. Atividades leves costumam ser retomadas progressivamente.

O retorno ao trabalho geralmente acontece entre 1 e 2 semanas, dependendo da complexidade da cirurgia e do tipo de atividade profissional.

A liberação para exercício, viagens e rotina completa deve ser individualizada no pós-operatório.

Quais são os riscos e limitações?

Como qualquer cirurgia, a salpingo-ovariolise envolve riscos. Entre os principais estão:

  • Sangramento;
  • Infecção;
  • Lesão de órgãos pélvicos ou abdominais;
  • Complicações anestésicas;
  • Em situações selecionadas, necessidade de conversão para cirurgia aberta.

Além disso, após cirurgias tubárias, o risco de gravidez ectópica é maior do que na população geral.

Outro ponto importante é que aderências podem voltar a se formar, mesmo quando a cirurgia é bem executada e feita por via minimamente invasiva.

A laparoscopia tende a causar menos trauma que a cirurgia aberta, o que ajuda a reduzir esse risco, mas não o elimina completamente.

Por isso, a escolha da cirurgia deve ser realista e baseada em benefício provável, não em promessa.

Perguntas frequentes

Não. A salpingo-ovariolise trata aderências ao redor da trompa e do ovário.

Já a fimbrioplastia é um procedimento voltado para a extremidade distal da tuba, quando as fímbrias estão estreitadas, coladas ou com abertura insuficiente.

Em alguns casos, os dois procedimentos podem ser associados.

Não. A indicação depende do contexto clínico.

O mesmo achado pode ter pesos diferentes conforme a idade da paciente, o tempo de infertilidade, a presença de endometriose, o espermograma, a reserva ovariana e a extensão do dano tubário.

Não. O procedimento pode melhorar a anatomia e criar uma condição mais favorável para a concepção espontânea em casos selecionados, mas não existe garantia de gravidez.

O resultado depende da qualidade funcional da tuba, da intensidade da doença, da idade e de outros fatores do casal.

Podem. A formação de novas aderências é uma possibilidade real em qualquer cirurgia pélvica.

Técnicas delicadas e abordagem minimamente invasiva ajudam a reduzir o risco, mas não o anulam totalmente.

Se seus exames levantaram a suspeita de aderências peritubárias, endometriose com distorção da anatomia pélvica ou alteração da relação entre trompa e ovário, vale discutir o caso de forma individualizada.

Em algumas pacientes, a salpingo-ovariolise pode ser um passo coerente para tentar restaurar a anatomia reprodutiva.

Em outras, o mais prudente é indicar outro procedimento ou mesmo evitar uma cirurgia com baixa chance de benefício real.

Cuide-se. Tire todas as suas dúvidas.