A salpingectomia unilateral da tuba doente é a retirada cirúrgica de apenas uma tuba uterina comprometida, geralmente por videolaparoscopia. Em ginecologia reprodutiva, essa cirurgia costuma ser indicada quando uma tuba apresenta hidrossalpinge unilateral, com baixa chance de recuperação funcional.

O objetivo é retirar a possibilidade da tuba com hidrossalpinge atrapalhar as chances de uma gestação espontânea ou de uma gestação proveniente de fertilização in vitro.

Para quem deseja engravidar de forma natural, a decisão entre reconstruir a tuba, como por exemplo com salpingostomia ou neossalpingostomia, e realizar a salpingectomia unilateral depende da qualidade anatômica da tuba doente, do aspecto das fímbrias, da presença de aderências, da idade, da reserva ovariana, do fator masculino e do tempo de infertilidade.

AGENDAR AVALIAÇÃO CIRÚRGICA

Quando a salpingectomia unilateral da tuba doente é considerada?

A salpingectomia unilateral costuma entrar no planejamento quando a tuba acometida por hidrossalpinge está tão alterada que a preservação anatômica já não representa uma preservação funcional.

Em outras palavras: manter a tuba no lugar não significa manter uma via fértil útil. A cirurgia pode ser considerada em situações como:

  • Hidrossalpinge unilateral com dilatação importante, parede espessada ou aspecto de mau prognóstico;
  • Destruição fimbrial, aglutinação importante das fímbrias ou ausência de anatomia distal favorável à reconstrução;
  • Recidiva ou reoclusão após cirurgia reconstrutiva prévia;
  • Tuba sem função reprodutiva aparente associada a dor, inflamação ou sequela infecciosa;
  • Confirmação intraoperatória de doença tubária distal grave, especialmente quando a tuba contralateral apresenta melhor prognóstico.

Em casos selecionados, a decisão definitiva entre salpingostomia e salpingectomia só é confirmada durante a laparoscopia.

Isso acontece porque a imagem sugere o diagnóstico, mas a avaliação direta da parede tubária, da mucosa, das fímbrias e das aderências é o que realmente define o prognóstico funcional da tuba.

Em linhas gerais, tubas pouco dilatadas, com paredes finas, aderências leves e anatomia distal mais preservada podem entrar no raciocínio reconstrutivo. Já tubas muito dilatadas, com paredes fibróticas, aderências extensas e fímbria destruída tendem a ter benefício muito mais limitado com cirurgia conservadora.

AGENDAR AVALIAÇÃO CIRÚRGICA

O que avaliamos antes de indicar a cirurgia?

Antes de indicar a cirurgia, a avaliação precisa ser completa. Em doença tubária, uma conduta isolada, sem revisar o contexto reprodutivo global, costuma gerar frustração. A avaliação pode incluir:

  • HyCoSy para estudar hidrossalpinge, padrão de obstrução, aspecto distal da tuba obstruída e aderências;
  • Ultrassom transvaginal especializado, para avaliar aderências, endometriose, útero, ovários e toda cavidade pélvica;
  • História clínica detalhada, cirurgias prévias, dor pélvica e tempo de infertilidade;
  • Disponibilidade do casal em realizar fertilização in vitro;
  • Análise da tuba contralateral, que é decisiva quando o objetivo é manter chance de gestação natural;
  • Reserva ovariana, padrão ovulatório, cavidade uterina e fator masculino, porque a tuba raramente é o único elemento do plano reprodutivo.

Essa avaliação também ajuda a evitar dois erros comuns: indicar retirada de tuba em uma paciente cuja anatomia ainda seria potencialmente reconstrutível, ou insistir em preservação de uma tuba claramente não funcional, apenas porque ela ainda está presente.

Como a salpingectomia unilateral é realizada por laparoscopia?

Na maior parte dos casos, a salpingectomia unilateral é feita por videolaparoscopia. Quando a possibilidade de salpingostomia ou fimbrioplastia ainda está sendo considerada e a decisão será intraoperatória, a melhor opção pode ser a via robótica. A cirurgia é realizada sob anestesia geral.

Acessos minimamente invasivos

Após a anestesia, são feitos pequenos portais para a câmera e os instrumentos cirúrgicos.

Inspeção da pelve

Avaliamos útero, ovários, ambas as tubas, peritônio, aderências e possíveis achados associados, como endometriose.

Definição do plano cirúrgico

Identificamos a tuba doente, confirmamos o grau de comprometimento distal e, quando indicado, tratamos aderências associadas.

Desinserção da tuba

O mesossalpinge é tratado com energia e dissecção cuidadosa, buscando preservar o ovário e a sua vascularização.

Retirada protegida e revisão final

A tuba é removida por via protegida e a pelve é revisada ao final para checagem de hemostasia e segurança.

Quando o caso exige, o procedimento pode ser associado a outras abordagens no mesmo tempo cirúrgico, como adesiólise, tratamento de endometriose ou avaliação da tuba contralateral.

Por isso, o tempo de cirurgia varia conforme a complexidade anatômica encontrada.

Salpingostomia x salpingectomia: qual a diferença?

Em hidrossalpinge leve e bem selecionada, a cirurgia conservadora pode ter espaço. Em doença distal severa, a preservação anatômica costuma não significar preservação funcional.

Salpingostomia ou neossalpingostomia

A salpingostomia, ou neossalpingostomia, tem como objetivo reabrir ou reconstruir a porção distal da tuba para tentar preservar seu uso reprodutivo.

Costuma fazer mais sentido em casos de doença distal leve, tuba pouco dilatada, paredes finas, mucosa e fímbrias relativamente preservadas.

A principal vantagem é manter a possibilidade de tentativa de gestação pela própria tuba tratada. A principal limitação é o risco de reoclusão, recorrência e maior risco de gravidez ectópica.

Salpingectomia unilateral

A salpingectomia unilateral tem como objetivo retirar a tuba com baixo ou nenhum potencial funcional.

Costuma fazer mais sentido em casos de hidrossalpinge unilateral de mau prognóstico, tuba muito dilatada, parede fibrótica, fímbria destruída ou aderências densas.

A principal vantagem é remover a tuba sem função reprodutiva e simplificar o planejamento da fertilidade.

A principal limitação é que a fertilidade do lado operado deixa de depender daquela tuba e passa a depender da tuba contralateral e dos demais fatores.

Como é a recuperação após salpingectomia unilateral?

Quando a cirurgia é minimamente invasiva, a recuperação é muito rápida.

Na maior parte dos casos, a alta ocorre no mesmo dia ou na manhã seguinte. Nos primeiros dias, é comum haver dor abdominal ou pélvica leve a moderada, sensação de inchaço, fadiga e dor no ombro causada pelo gás utilizado na laparoscopia.

Também pode existir pequeno sangramento vaginal ou secreção discreta.

Caminhadas leves geralmente são estimuladas já no primeiro dia. Atividades simples do dia a dia costumam ser retomadas em poucos dias, enquanto o retorno ao trabalho depende do tipo de função.

Trabalhos administrativos podem permitir volta mais cedo. Atividades físicas intensas ou funções com esforço exigem mais tempo.

A liberação para exercício, atividade sexual e levantamento de peso deve ser individualizada.

Quando a salpingectomia é associada a adesiólise extensa, tratamento de endometriose ou outros procedimentos pélvicos, a recuperação pode ser mais demorada do que em uma cirurgia isolada.

AGENDAR AVALIAÇÃO CIRÚRGICA

É possível engravidar naturalmente depois de retirar uma tuba?

Sim, é possível engravidar naturalmente depois de retirar apenas uma tuba, desde que a tuba contralateral tenha boa anatomia e função, e que os demais fatores do casal também estejam favoráveis.

Por isso, a decisão não deve ser tomada olhando apenas para a tuba doente. É preciso avaliar a tuba do outro lado, a ovulação, a reserva ovariana, a cavidade uterina, o sêmen e o tempo reprodutivo disponível.

Quando a salpingectomia geralmente não é a primeira opção?

A salpingectomia unilateral geralmente não é a primeira escolha quando a avaliação sugere possibilidade real de reconstrução funcional da tuba ou quando o diagnóstico ainda precisa ser esclarecido. Isso pode acontecer em situações como:

  • Hidrossalpinge distal leve, com anatomia mais favorável para salpingostomia ou fimbrioplastia;
  • Pacientes muito bem selecionadas para cirurgia conservadora, sem fatores adicionais relevantes de infertilidade.

Nesses casos, a discussão pode caminhar para preservação tubária, reconstrução ou acompanhamento direcionado, sempre conforme a análise individual.

Perguntas frequentes

Não. A cirurgia remove apenas a tuba comprometida e preserva o ovário quando ele está saudável.

Sim. Quando a tuba contralateral é funcional e os demais fatores reprodutivos estão favoráveis, a gestação natural continua possível.

Em regra, não. Quando o útero e os ovários são preservados, a produção hormonal e a menstruação tendem a se manter.

Preferencialmente, sim. A videolaparoscopia costuma ser a via mais usada. A cirurgia robótica pode ser uma opção em casos selecionados.

Na maioria das cirurgias minimamente invasivas, a alta ocorre no mesmo dia ou em até 24 horas.

A volta gradual à rotina costuma acontecer em dias a poucas semanas, dependendo do porte do procedimento e das cirurgias associadas.

Não. A salpingostomia tenta preservar a tuba reconstruindo sua extremidade distal.

A salpingectomia remove a tuba quando ela não tem potencial funcional suficiente para justificar preservação.

Cuide-se. Tire todas as suas dúvidas.