Como É o Tratamento da Endometriose no intestino
Postado em: 19/03/2025
A Endometriose no intestino ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio que reveste o útero, passa a se desenvolver na parede intestinal, desencadeando inflamações e aderências nessa região.
Essa condição pode provocar sintomas como dor para evacuar durante as menstruações, alterações no trânsito intestinal, como diarreia no período menstrual e até mesmo sangramento retal.
Com diagnóstico adequado e acompanhamento multidisciplinar, é possível encontrar tratamentos eficazes que visam aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Neste artigo, abordaremos detalhadamente as opções de tratamento, desde as terapias clínicas até procedimentos cirúrgicos, destacando ainda a importância de hábitos saudáveis e do suporte de profissionais especializados.
O que considerar antes de iniciar o tratamento?
Antes de definir a melhor estratégia terapêutica para a “Endometriose“ intestinal, é importante destacar que o profissional responsável pelo acompanhamento clínico até a indicação da cirurgia é o médico ginecologista.
O tratamento da endometriose deve ser realizado por um ginecologista especialista em endometriose, com ampla formação em cirurgias minimamente invasivas.
As cirurgias devem ser feitas sempre com equipe multidisciplinar, com o ginecologista executando o tratamento cirúrgico das lesões de endometriose no útero, ligamentos uterinos, ovários e bexiga e o coloproctologista realizando o tratamento da endometriose no intestino.
Principais informações para estabelecer a estratégia do tratamento
Sintomas
Intensidade da dor, sinais de obstrução intestinal, alterações intestinais e sangramento são fatores que ajudam a entender a demanda de cada paciente.
Grau de comprometimento do intestino
A extensão da doença, a porcentagem da circunferência acometida, a profundidade das lesões e a presença de outras áreas de endometriose na pelve também são pontos importantes a serem considerados.
Histórico médico e desejo reprodutivo
A escolha do tratamento pode variar se a paciente planeja engravidar no futuro.
Saúde geral da paciente
É preciso analisar condições clínicas associadas que podem influenciar a decisão terapêutica.
Depois dessa análise, é importante o posicionamento do médico sobre a recomendação mais apropriada para cada caso e o alinhamento com a paciente sobre as vantagens e desvantagens em relação aos diferentes tipos de tratamento.
Tratamento Clínico: Primeira Linha de tratamento
A maioria dos casos de endometriose no intestino é inicialmente manejada com tratamento clínico, cujo objetivo principal é controlar a dor, reduzir a inflamação e, quando possível, retardar o avanço das lesões endometrióticas.
Entre as opções mais comuns, destacam-se os seguintes!
Terapia Hormonal
Pode ser feita, por exemplo, com:
- Contraceptivos orais combinados: Diminuem a produção de hormônios que estimulam o crescimento do tecido endometrial.
- Progestagênios isolados: Pílulas, implanon®, DIU mirena ou injeções que bloqueiam a proliferação do tecido endometriótico.
- Análogos de GnRH: “Desligam” temporariamente a produção de hormônios ovarianos, promovendo uma espécie de menopausa induzida. Devem ser utilizados somente em casos muito selecionados
- Gestrinona: medicamento de segunda linha no tratamento da endometriose, mas que em algumas situações pode ser utilizada.
A escolha do tipo de medicamento hormonal depende da tolerância da paciente, possíveis efeitos colaterais e desejo de engravidar.
Esses tratamentos podem ser associados a analgesia para potencializar o alívio dos sintomas.
Acompanhamento multidisciplinar
A mulher com endometriose deve procurar melhorar a alimentação, fazer atividade física, buscar um sono de qualidade e gestão do stress.
Quando necessário, a equipe multidisciplinar pode auxiliar com tratamentos complementares, como:
- Nutricionista: Uma dieta balanceada pode contribuir para a redução da inflamação e melhorar o trânsito intestinal.
- Fisioterapia pélvica: Reforça a musculatura da pelve, auxiliando no controle da dor e na função intestinal, sendo uma abordagem muito importante nas mulheres com dor na relação sexual.
- Psicólogo ou psiquiatra: Ajuda a lidar com o estresse e ansiedade que podem surgir com a doença crônica.
Tratamento cirúrgico: quando é indicado?
Em casos mais graves ou quando o tratamento clínico não apresenta resultados satisfatórios, a abordagem cirúrgica pode ser necessária.
O objetivo é remover focos de endometriose, tratando a inflamação e a dor.
Confira as vias cirúrgicas mais comuns.
1. Laparoscopia
Suas principais características incluem:
- Procedimento minimamente invasivo: Pequenas incisões no abdômen, por onde são inseridos finos instrumentos cirúrgicos e uma câmera.
- Visão ampliada: Permite identificar e remover focos de endometriose de maneira mais precisa.
- Menor tempo de recuperação em comparação com cirurgias abertas.
2. Cirurgia robótica
Utiliza um sistema que oferece ao cirurgião mais precisão e controle durante a remoção das lesões. É a evolução da cirurgia laparoscópica.
Sempre que disponível é a via cirúrgica de preferência.
Tipos de tratamento para as lesões intestinais
Shaving
Técnica na qual as lesões de endometriose no intestino são completamente removidas, sem a necessidade de retirar nenhuma parte do intestino.
Costuma ser indicada para lesões pequenas e planas.
Ressecção Discoide
Técnica na qual a endometriose é retirada, juntamente com um pequeno pedaço em formato circular, da parede da alça intestinal.
Indicada para lesões de até 3 cm quando o shaving não pode ser realizado.
Ressecção segmentar
É a retirada de um pequeno segmento do intestino. Indicada para as lesões maiores que 3 cm e com maior profundidade.
Risco de colostomia nas cirurgias de endometriose no intestino
Na grande maioria dos casos não há a necessidade da realização de colostomia nas cirurgias de endometriose intestinal, especialmente nas melhores equipes.
Pós-operatório e cuidados adicionais
Após a cirurgia, o acompanhamento médico é indispensável para monitorar a recuperação e prevenir possíveis complicações, como infecções ou recidivas.
Possíveis complicações se não tratada
Quando a endometriose no intestino não recebe tratamento adequado, as consequências podem ser graves, como:
- Obstrução intestinal: A formação de aderências pode dificultar a passagem das fezes.
- Dores crônicas: O quadro evolui para uma dor persistente, prejudicando a qualidade de vida.
- Agravamento de outras áreas da endometriose: Com o tempo, as lesões podem se espalhar, afetando ainda mais os órgãos pélvicos.
Por isso, ao notar sintomas como cólicas intensas, alteração frequente no hábito intestinal e dor ao evacuar, é crucial buscar avaliação médica para diagnóstico e tratamento precoce.
Conclusão
O tratamento da endometriose no intestino é dinâmico e depende dos sintomas e extensão de cada tipo de doença. Enquanto algumas mulheres respondem bem a terapias hormonais e manejo clínico, outras podem necessitar de intervenção cirúrgica para alcançar a cura dos sintomas e evitar complicações.
Em todos os casos, a combinação de acompanhamento médico especializado, mudanças no estilo de vida e suporte multidisciplinar é essencial para garantir resultados positivos e preservar a saúde.
Em minha clínica, contamos com equipe multidisciplinar e ampla experiência no tratamento da endometriose pélvica e no intestino.
Entre em contato para marcar sua consulta!
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Dr. Fernando Guastella
CRM-SP: 112.601
RQE: 83937 - Ginecologia e Obstetrícia
RQE: 839371 - Endoscopia Ginecológica (Cirurgias Minimamente Invasivas)
RQE: 58641 - Diagnóstico por Imagem