Tratando Endometrioma Ovariano: estratégias eficazes e novas abordagens

Postado em: 22/09/2025

 

Se você recebeu o diagnóstico de Endometrioma Ovariano, é natural sentir preocupação com sua fertilidade e qualidade de vida.

Esses chamados “cistos de chocolate” acumulam sangue antigo e podem causar dor pélvica, desconforto intestinal e dificuldade para engravidar.

A boa notícia é que hoje contamos com tratamentos modernos, minimamente invasivos e respaldados por evidências científicas, capazes de aliviar os sintomas e preservar a função ovariana.

Tratando Endometrioma Ovariano estratégias eficazes e novas abordagens

A seguir, explico as estratégias mais eficazes disponíveis atualmente, como funcionam na prática e quais critérios utilizo para definir o melhor plano terapêutico para cada paciente. Vamos juntas entender suas opções?

O que é um endometrioma?

O endometrioma é um tipo de cisto ovariano que se forma quando o tecido endometrial ectópico — que deveria estar apenas no útero — se implanta no ovário.

Esse tecido responde ao ciclo menstrual, provocando sangramento interno que se acumula no cisto e adquire uma coloração escura, característica dos chamados “cistos de chocolate”.

Estudos indicam que até 40% das mulheres com endometriose desenvolvem pelo menos um endometrioma, sendo mais comum no ovário esquerdo.

Isso pode estar relacionado à proximidade com o cólon sigmoide, que dificulta a drenagem do conteúdo pélvico e favorece o acúmulo de tecido endometrial nesse lado.

Sintomas

Os principais sintomas do endometrioma incluem:

  • Dor pélvica crônica, geralmente unilateral; 
  • Cólicas menstruais intensas (dismenorreia); 
  • Dor durante a relação sexual (dispareunia); 
  • Infertilidade, presente em até 30–50% das mulheres com endometriose profunda; 
  • Distensão abdominal ou alterações no hábito intestinal.

Esses sinais podem comprometer a rotina diária, afetar o bem-estar emocional e gerar impacto significativo na qualidade de vida. Por isso, identificar e tratar o “ENDOMETRIOMA OVARIANO” de forma adequada é essencial.

Diagnóstico do endometrioma

O diagnóstico do endometrioma começa com a ultrassonografia transvaginal. Quando há suspeita de cisto ovariano, é indicada a complementação com o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, principal exame para mapear a endometriose profunda.

Em algumas situações, a ressonância magnética pode ser utilizada para esclarecer a extensão das lesões, mas na maior parte das vezes não é necessário.

Além disso, a contagem do número de folículos antrais e exames hormonais como a dosagem de AMH (hormônio antimülleriano) e FSH (hormônio folículo-estimulante) são importantes para avaliar a reserva ovariana antes de qualquer intervenção.

Tratando Endometrioma Ovariano estratégias eficazes e novas abordagens

Tratamento medicamentoso

O uso de progestagênios orais, como o dienogeste, pílulas combinadas e implantes hormonais que causam anovulação, são eficazes para controlar a dor pélvica e o sangramento.

Qualquer que seja o tratamento hormonal, eles não eliminam o cisto, e ele pode voltar a crescer após a suspensão do tratamento.

Tratando Endometrioma Ovariano estratégias eficazes e novas abordagens

Cirurgia conservadora

Indico a cistectomia laparoscópica ou robótica quando o endometrioma tem quatro centímetros ou mais, provoca dor intensa ou compromete a reserva ovariana.

A cirurgia robótica, com visão 3D e pinças articuladas, permite dissecção mais precisa e segura dos tecidos.

Antes da operação, sempre avalio a reserva ovariana e discuto a possibilidade de congelamento de óvulos, já que o procedimento pode provocar uma leve redução no número de óvulos disponíveis.

Alcoolização guiada por ultrassom

Nos casos em que preservar a função ovariana é essencial, opto pela alcoolização do endometrioma. O procedimento é realizado com anestesia no centro cirúrgico, guiado por ultrassonografia transvaginal.

A paciente recebe alta em cerca de três horas e retorna às atividades no dia seguinte. Estudos indicam recidiva abaixo de 8% e boa preservação da função ovariana.

Terapias adjuvantes e reprodução assistida

Após cirurgia ou alcoolização, a hormonioterapia por 6 a 12 meses ajuda a reduzir as chances de recidiva.

Quando há desejo imediato de engravidar, indico a fertilização in vitro (FIV). Em algumas situações, é recomendável realizar a FIV antes da cirurgia, para evitar quedas adicionais nos níveis de reserva ovariana.

Como personalizo o tratamento para cada paciente

Cada caso é único, e o plano terapêutico deve respeitar os objetivos da paciente:

  • Desejo de engravidar a curto prazo: priorizo alcoolização ou cistectomia minimamente invasiva; 
  • Dor pélvica crônica sem desejo gestacional: iniciamos com tratamento hormonal e avaliamos cirurgia em caso de falha; 
  • Baixa reserva ovariana: considero congelamento de óvulos antes de qualquer intervenção; 
  • Endometriose extensa com múltiplos focos: planejo uma cirurgia única, abrangente e precisa.

Pós-tratamento

A melhora da dor costuma ser perceptível já nas primeiras semanas. O retorno à rotina é rápido: no dia seguinte após a alcoolização e cerca de uma a duas semanas após a cistectomia.

Além do tratamento, oriento medidas complementares, como:

  • Atividade física regular; 
  • Dieta anti-inflamatória; 
  • Controle do estresse emocional. 

Realizo acompanhamento anual com exames de imagem e avaliação hormonal para garantir a estabilidade clínica e a qualidade de vida da paciente.

Novas tecnologias em pesquisa

Outra alternativa é o uso de agonistas de GnRH de liberação prolongada combinados com microdoses hormonais. Essa estratégia oferece controle dos sintomas por até dois anos, com menor impacto sobre a saúde óssea. 

Costumo indicá-la para pacientes que precisam adiar intervenções definitivas por motivos pessoais ou clínicos.

Recupere sua qualidade de vida

Você não precisa conviver com dor ou incerteza sobre fertilidade. Na minha clínica, localizada em Indianópolis, em São Paulo, aplico tecnologia de ponta e um cuidado humanizado no tratamento do endometrioma ovariano.

Marque agora sua consulta comigo — juntos, vamos definir a estratégia que respeite seu corpo e seus planos.

Referências bibliográficas:

 

  • Azizova A, Ciftci T, Gultekin M, Unal E, Akhan O, Bozdag G, Akinci D. Ethanol sclerotherapy for ovarian endometrioma: technical considerations for catheter- and needle-directed sclerotherapy. CVIR Endovasc. 2024;47:891–900. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00270-024-03694-0
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Dr. Fernando Guastella

CRM-SP: 112.601
RQE: 83937 - Ginecologia e Obstetrícia
RQE: 839371 - Endoscopia Ginecológica (Cirurgias Minimamente Invasivas)
RQE: 58641 - Diagnóstico por Imagem

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