Pólipo endometrial: sintomas, riscos de câncer e tratamento por histeroscopia

Postado em: 13/03/2026

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O pólipo endometrial é um crescimento que se desenvolve na parte interna do útero e está entre as alterações ginecológicas mais comuns. Pode surgir em mulheres em idade fértil ou após a menopausa e costuma estar relacionado a sangramentos fora do período menstrual e, em alguns casos, à dificuldade para engravidar.

Embora a maioria dos pólipos não represente risco imediato, a condição exige atenção. Em situações específicas — como a presença de sintomas ou o período pós-menopausa —, pode haver associação com alterações mais graves, o que torna a avaliação médica fundamental.

Ao longo deste conteúdo, você vai entender quando o pólipo deve ser investigado, quais sinais exigem cuidado e como a histeroscopia contribui para um diagnóstico seguro e um tratamento adequado.

O que é o pólipo endometrial e por que surge?

Os pólipos endometriais, chamados também de pólipos uterinos, são crescimentos localizados que se originam do tecido que reveste o interior do útero e se projetam para a cavidade uterina. Podem variar de tamanho, desde poucos milímetros até alguns centímetros, e ocorrer de forma isolada ou múltipla.

O surgimento das lesões está, em geral, relacionado à ação dos hormônios, especialmente do estrogênio, que estimula o crescimento do endométrio ao longo do tempo.

Principais fatores associados

  • Exposição ao estrogênio;
  • Idade entre 40 e 60 anos;
  • Obesidade;
  • Hipertensão arterial;
  • Uso de tamoxifeno.

Esses elementos aumentam a probabilidade de desenvolvimento dos pólipos e, em determinados casos, podem estar associados a um risco maior de alterações celulares.

Pólipo endometrial: sintomas, riscos de câncer e tratamento por histeroscopia

Sintomas mais comuns

Muitos pólipos não provocam sintomas, sobretudo quando são pequenos ou identificados de forma incidental. Quando presentes, os sinais mais frequentes incluem:

  • Sangramento uterino fora do período menstrual;
  • Menstruação mais volumosa ou prolongada;
  • Sangramento após a menopausa (sinal de alerta);
  • Dificuldade para engravidar ou infertilidade.

Essas manifestações podem impactar o bem-estar e devem sempre ser avaliadas clinicamente.

Pólipo endometrial pode virar câncer?

A maioria dos pólipos endometriais é benigna. Ainda assim, existe um risco — embora baixo — de malignidade, especialmente em mulheres na pós-menopausa, em pólipos de maior tamanho ou quando há sangramento uterino associado.

Estudos indicam que esse risco varia, em média, entre 2% e 5%, o que justifica a retirada do pólipo e a análise histológica sempre que houver indicação clínica.

Diagnóstico: como saber se tenho pólipo?

O ultrassom transvaginal costuma ser o primeiro exame solicitado. Deve ser realizado, preferencialmente, entre o 6º e o 12º dia do ciclo menstrual, período em que o endométrio está mais fino e a avaliação é mais precisa.

A histeroscopia diagnóstica é considerada o padrão-ouro para a identificação do pólipo. O exame permite a visualização direta da cavidade uterina, a confirmação do diagnóstico e, em muitos casos, a realização de biópsia dirigida no mesmo procedimento.

Pólipo endometrial: sintomas, riscos de câncer e tratamento por histeroscopia

Tratamento: todo pólipo precisa ser retirado?

A conduta depende de fatores individuais, como idade, presença de sintomas, tamanho da lesão e desejo reprodutivo. De modo geral:

  • Mulheres jovens, assintomáticas e com pólipos pequenos podem ser acompanhadas clinicamente;
  • Casos sintomáticos, mulheres na pós-menopausa ou pacientes com infertilidade costumam ter indicação de retirada cirúrgica.

A decisão deve ser sempre individualizada, após avaliação médica cuidadosa.

A cirurgia: histeroscopia cirúrgica (sem cortes)

A histeroscopia cirúrgica é o método mais eficaz para tratar o pólipo endometrial. O procedimento é realizado por via vaginal, sem cortes no abdômen, o que permite a remoção da lesão sob visualização direta.

Trata-se de uma técnica minimamente invasiva, com recuperação rápida, baixo risco de complicações e, na maioria dos casos, alta no mesmo dia. O material retirado é encaminhado para análise histológica, que confirma a natureza da lesão.

Pólipo endometrial atrapalha a gravidez?

Sim. O pólipo pode funcionar como um “DIU natural”, dificultando a implantação do embrião e favorecendo inflamação local.

A retirada da lesão tende a aumentar as chances de gravidez espontânea e melhorar os resultados de tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

Pólipo endometrial: sintomas, riscos de câncer e tratamento por histeroscopia

Dúvidas frequentes sobre pólipo endometrial

Abaixo estão algumas das perguntas mais comuns relacionadas a esse diagnóstico.

Qual é a diferença entre pólipo e mioma?

O pólipo se desenvolve no endométrio, a camada interna do útero, e apresenta consistência mais mole. Já o mioma, por sua vez, surge no miométrio, o músculo uterino, e costuma ser mais duro ou fibroso.

O pólipo pode desaparecer com a menstruação?

Raramente. Na maioria das situações, o pólipo não regride espontaneamente e permanece se não for tratado.

O pólipo pode voltar após a retirada?

A recidiva é possível, embora não seja comum. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular é importante para monitorar a saúde uterina.

Conclusão: cuide da saúde do seu útero

O pólipo endometrial é uma condição frequente e, na maioria das vezes, benigna. Ainda assim, sangramentos fora do padrão habitual merecem atenção, especialmente após a menopausa, quando a investigação é ainda mais importante.

Uma avaliação especializada faz toda a diferença para um diagnóstico seguro e para a escolha do tratamento mais adequado.

Agende sua consulta com Dr. Fernando Guastella e cuide da sua saúde com informação, segurança e acompanhamento médico qualificado.

Bibliografia científica

  1. ACOG — Committee Opinion No. 800 (Mar/2020)
    The Use of Hysteroscopy for the Diagnosis and Treatment of Intrauterine Pathology
  2. PubMed (2019) — Meta-analysis sobre risco de malignidade em pólipos
    The risk of malignancy in uterine polyps: A systematic review and meta-analysis (Uglietti et al., 2019)
  3. NCBI Bookshelf (StatPearls) — Revisão clínica: definição, epidemiologia e manejo
    Endometrial Polyp — StatPearls
  4. PubMed Central (2019) — Revisão ampla: fisiopatologia, implicações e tratamento
    Endometrial polyps: Pathogenesis, sequelae and treatment (Nijkang et al., 2019)
  5. Medical News Today — apoio ao paciente
    Uterine polyps: Symptoms, treatment, outlook, and prevention
    https://www.medicalnewstoday.com/articles/uterine-polyps
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Dr. Fernando Guastella

CRM-SP: 112.601
RQE: 83937 - Ginecologia e Obstetrícia
RQE: 839371 - Endoscopia Ginecológica (Cirurgias Minimamente Invasivas)
RQE: 58641 - Diagnóstico por Imagem

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Comentários:

    • O risco do pólipo ser maligno é muito baixo, mas não é zero. Se você tiver sintomas como sangramento, discuta retirar o pólipo.

  1. Matéria super interessante, descobri recentemente que tenho Pólipo endometrial. Tenho um fluxo super intenso, acompanhando de cólicas fortíssimas (impossibilitando inclusive de sair de casa), diarréia, dores nos membros inferiores e ânsia de vômito.
    Espero que pelo menos o fluxo e a cólica desapareça após a cirurgia. Parabéns pela matéria esclarecedora.

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