Videolaparoscopia para endometriose: entenda o procedimento minimamente invasivo
Postado em: 29/07/2026

A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo afetar ovários, trompas, bexiga e intestino.
Esse crescimento anormal provoca dor pélvica intensa, cólicas frequentes e, em alguns casos, dificuldade para engravidar — sintomas que comprometem a rotina e o bem-estar da mulher.
Quando o tratamento clínico não proporciona o alívio esperado, a videolaparoscopia surge como uma opção cirúrgica moderna e eficaz.
Esse procedimento minimamente invasivo permite visualizar e remover com precisão os focos da doença, reduzindo a dor, preservando a fertilidade e garantindo recuperação rápida e confortável.
O que é videolaparoscopia e como ela ajuda no tratamento da endometriose?
A videolaparoscopia é uma cirurgia minimamente invasiva realizada por meio de pequenas incisões no abdômen, pelas quais são introduzidos uma câmera de alta definição e instrumentos delicados.
Com a visão ampliada da cavidade pélvica, o ginecologista identifica e trata focos de endometriose, aderências e endometriomas por excisão (remoção completa) ou ablação (destruição do tecido por energia térmica).
Reconhecida por instituições como o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e a European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE), a videolaparoscopia é considerada o padrão-ouro no tratamento da endometriose.
O procedimento combina segurança, precisão e resultados consistentes, promovendo alívio da dor e restauração da anatomia pélvica, com preservação da fertilidade.
Quando a videolaparoscopia é indicada?
A cirurgia é indicada em situações como:
- Dor pélvica intensa e persistente, sem melhora com medicamentos;
- Falha no tratamento hormonal;
- Presença de endometriomas (cistos ovarianos de endometriose);
- Comprometimento do intestino ou da bexiga;
- Infertilidade associada à doença.
Antes da cirurgia, o ginecologista realiza uma avaliação completa, incluindo exame físico e exames de imagem — como ultrassonografia com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve —, essenciais para mapear as lesões e planejar o tratamento de forma segura e individualizada.
Como se preparar para a cirurgia
O preparo inclui jejum de cerca de oito horas, exames laboratoriais e organização de um acompanhante para o retorno após o procedimento.
Em alguns casos, podem ser aplicados protocolos de Recuperação Acelerada (ERAS), que reduzem a dor, diminuem o tempo de internação e favorecem uma recuperação mais rápida e tranquila.
Como o procedimento é realizado?
Sob anestesia geral, o cirurgião faz pequenas incisões, geralmente próximas ao umbigo, e insufla o abdômen com CO₂ para criar espaço de trabalho.
Com o laparoscópio, que projeta imagens em tempo real, o médico identifica as lesões e as trata conforme a profundidade e a localização.
Técnicas utilizadas
- Excisão: remoção completa dos focos de endometriose, indicada em casos profundos ou com endometriomas. Proporciona melhor controle da dor e preserva as estruturas reprodutivas;
- Ablação: destruição dos implantes superficiais por energia térmica, elétrica ou laser. É usada em lesões menores e oferece recuperação mais rápida.
As técnicas podem ser combinadas conforme a necessidade, sempre priorizando segurança, preservação da fertilidade e alívio dos sintomas.
Excisão x ablação: o que a ciência mostra
Estudos publicados na Cochrane Review e Human Reproduction mostram que:
- A excisão oferece melhor controle da dor e menor risco de recidiva em casos de endometriose profunda;
- A ablação é eficaz em lesões superficiais, sendo uma alternativa menos invasiva e de recuperação mais curta.
A decisão entre as técnicas é individualizada, considerando a extensão da doença, os sintomas e o desejo reprodutivo da paciente.

Benefícios da videolaparoscopia
Por exigir apenas pequenas incisões, a videolaparoscopia proporciona:
- Menor dor no pós-operatório;
- Cicatrizes discretas;
- Menor risco de infecção e sangramento;
- Alta precoce, geralmente no mesmo dia;
- Retorno rápido às atividades;
- Melhora significativa da dor e da qualidade de vida.
A maioria das pacientes apresenta alívio dos sintomas entre 6 e 12 meses após a cirurgia, com impacto positivo na saúde física e emocional.
Recuperação e cuidados pós-operatórios
Nos primeiros dias, é comum sentir leve dor abdominal, gases e cansaço. A maioria das pacientes retoma atividades leves entre 7 e 10 dias, evitando esforços físicos e relações sexuais até liberação médica.
O Dr. Fernando Guastella orienta sobre cuidados com o curativo, alimentação equilibrada e hidratação adequada.
Sinais de alerta que exigem contato médico incluem:
- Dor intensa ou persistente;
- Febre;
- Sangramento aumentado;
- Náuseas contínuas;
- Secreção nas incisões.
Complicações são raras quando o procedimento é realizado por especialistas em Endoscopia Ginecológica.
Impacto na fertilidade
A videolaparoscopia pode aumentar as chances de gravidez, especialmente em casos de endometriose leve a moderada.
Nos quadros mais avançados, ajuda a restaurar a anatomia pélvica e melhora o sucesso de tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).
O Endometriosis Fertility Index (EFI) auxilia o médico a estimar o potencial reprodutivo após a cirurgia e a planejar o acompanhamento ideal.
Segurança e riscos
A videolaparoscopia é considerada um procedimento seguro e de baixo risco. Complicações, como infecção, sangramento ou lesão de órgãos vizinhos, são raras e, quando ocorrem, costumam estar associadas a casos complexos.
A segurança depende de uma avaliação pré-operatória precisa, da técnica cirúrgica adequada e do acompanhamento pós-operatório estruturado, conforme as diretrizes da ACOG e da ESHRE.

Perguntas frequentes sobre videolaparoscopia para endometriose
1) A videolaparoscopia substitui o tratamento hormonal?
Nem sempre. Em alguns casos, o tratamento hormonal é mantido após a cirurgia para reduzir o risco de recidiva. A conduta depende da extensão da doença e dos planos reprodutivos da paciente.
2) Em quanto tempo posso voltar ao trabalho?
Geralmente entre 7 e 10 dias, conforme o tipo de atividade e a recuperação individual. Protocolos ERAS podem acelerar esse retorno.
3) A endometriose pode voltar após a videolaparoscopia?
Sim. A endometriose é uma condição crônica, mas o acompanhamento regular e o controle hormonal ajudam a prevenir novos focos.
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Dr. Fernando Guastella
CRM-SP: 112.601
RQE: 83937 - Ginecologia e Obstetrícia
RQE: 839371 - Endoscopia Ginecológica (Cirurgias Minimamente Invasivas)
RQE: 58641 - Diagnóstico por Imagem
Referências:
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Endometriosis FAQs. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/endometriosis.
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Laparoscopy FAQs. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/laparoscopy.
- Medical News Today. Laparoscopy for Endometriosis: Tips and What to Expect. Disponível em: https://www.medicalnewstoday.com/articles/322469.
- Bafort C, Beebeejaun Y, Tomassetti C, Bosteels J, Duffy JM. Laparoscopic surgery for endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2020 Oct 23;10(10):CD011031. doi:10.1002/14651858.CD011031.pub3. PubMed+1
- Pundir J, Omanwa K, Kovoor E, Pundir V, Lancaster G, Barton-Smith P. Laparoscopic excision versus ablation for endometriosis-associated pain: an updated systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2017 Jul-Aug;24(5):747-756. doi:10.1016/j.jmig.2017.04.008. PubMed
