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Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Endometriose profunda

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é considerando o melhor exame para o diagnóstico da endometriose

 

Dependendo do local é chamado de ultrassonografia transvaginal especializada, ou ainda ultrassonografia transvaginal para mapeamento pélvico da endometriose.

 

Diversos artigos científicos têm demonstrado que o exame possui uma capacidade diagnóstica (sensibilidade) entre 95-100% e deve ser o exame inicial na mulher com sintomas de endometriose.

 

Neste texto vou explicar os critérios de qualidade para o exame, alimentação e medicações na véspera e outras dúvidas frequentes.

 

ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal mostrando a estratificação de uma alça intestinal normal.

 

O que o ultrassom transvaginal com preparo intestinal avalia

A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal avalia e diagnostica todas as estruturas e doenças que um exame sem preparo intestinal avalia, como os miomas, adenomiose, pólipos, cisto de ovário, hidrossalpinge e tumores.

 

O médico que realiza o ultrassom transvaginal para mapeamento pélvico da endometriose é um especialista em ultrassom transvaginal e todas as doenças geralmente são bem avaliadas e descritas.

 

A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, portanto, tem o objetivo de identificar todas as doenças do útero e ovário e diagnosticar todos os focos de endometriose, seja para o planejamento da cirurgia, do tratamento hormonal ou dos tratamentos alternativos.

 

Fatores de qualidade do ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Para que o exame de ultrassom transvaginal com preparo intestinal tenha uma excelente performance para o diagnóstico de endometriose é preciso que três fatores estejam presentes:

  • Capacitação do médico que realiza o exame;
  • Protocolo de exame adequado;
  • Equipamento de alta resolução.

 

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Desenho esquemático realizado nos laudos de ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Este tipo de informação visual auxilia a paciente a entender a sua doença. No desenho a endometriose está assinalada em cor preta no ovário direito e ligamento útero-sacro direito.

Capacitação do médico para realização do exame

Percebi ao longo dos anos que a curva de aprendizado para atingir a excelência na realização do exame transvaginal com preparo intestinal é longa e requer muita dedicação, sendo considerada uma especialidade dentro da ultrassonografia.

 

Este é o principal fator na qualidade de um exame transvaginal para pesquisa de endometriose.

 

Endometriose ovariana

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal mostrando um endometrioma no ovário direito.

 

Protocolo do exame

Existem diferentes protocolos para a realização do ultrassom transvaginal com preparo intestinal.

 

Desenvolvi há alguns anos um protocolo de exame que deve ser realizado pela via transvaginal e abdominal.

 

Este é o protocolo que ensino em meus cursos no CETRUS e que vem sendo utilizado em alguns laboratórios especializados em endometriose por todo o Brasil.

 

Quanto mais completo é o protocolo, mais lesões de endometriose são diagnosticadas durante um exame, incluindo lesões em lugares pouco comuns.

 

O exame deve ser realizado tanto pela via transvaginal, quanto pela via abdominal.

 

A parte do exame realizado pela via transvaginal consegue detectar as lesões de endometriose mais comuns, como as localizadas na região retrocervical, ligamento útero sacro, intestino, vagina e bexiga.

 

A via abdominal detecta lesões de endometriose em locais menos comuns, mas não por isso menos importantes, como as lesões no diafragma, ceco, apêndice, parede abdominal (cicatriz da cesárea), região umbilical e sigmoide alto.

O protocolo segue a avaliação das seguintes estruturas:

  1. Septo retovaginal, reto e sigmóide;
  2. Região retrocervical em 3 etapas: central, lateral e fundo de saco de Douglas;
  3. Avaliação e medida do útero, ovários, pesquisa de aderência e avaliação de áreas dolorosas;
  4. Avaliação do ceco, apêndice e íleo pela via transvaginal;
  5. Compartimento anterior (bexiga, ureter, recesso vesico-uterino e ligamentos redondos);
  6. Avaliação da vagina com gel na suspeita de endometriose na vagina;
  7. Rins, diafragma, ceco, apêndice, íleo, sigmoide e parede abdominal pela via abdominal.

 

endometriose na cicatriz da cesárea

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal evidenciando uma lesão de endometriose na cicatriz da cesárea. Endometriose detectada pela via abdominal.

 

Equipamento de alta resolução

A melhora na resolução das imagens nos equipamentos de ultrassonografia é algo marcante ao longo dos anos, sendo que os equipamentos de alta resolução permitem o diagnóstico de pequenos focos de endometriose com muita nitidez e fazem a diferença em muitos casos.

Orientações para o ultrassom transvaginal com preparo intestinal

  • Trazer exames anteriores, inclusive os de sangue (CA125), ultrassom transvaginal, ressonância magnética e relatórios de cirurgias prévias, caso tenha;
  • Chegar com 30 minutos de antecedência do horário agendado.

Alimentação na véspera do Exame

  • Dieta sem resíduos: evitar gorduras, vegetais folhosos, carboidratos do tipo integral, grãos de feijão, fibras,  leite e seus derivados;
  • Sugestão: peito de frango cozido, filet de peixe cozido, ovo poche, caldo de feijão coado, arroz branco, cenoura, chuchu ou batata cozida e amassada, gelatina, torradas, suco de frutas coado em peneira fina e água de coco.
  • Caso o exame esteja agendado no período da tarde, pode tomar café da manhã, evitando os alimentos acima. É preciso jejum de apenas 4 horas.

Preparo intestinal

A medicação de escolha para a realização do preparo intestinal tem como princípio ativo o macrogol 3350.

 

Esta substância apresenta diferentes nomes comerciais no mercado, como Muvinlax® entre outros e tem a vantagem de não ser absorvido  pelo organismo e desta forma, determina poucos efeitos colaterais.

Medicações na véspera do exame.

  • Dissolver cinco envelopes de Muvinlax® em 600 ml de água às 8h00 e tomar;
  • Dissolver mais cinco envelopes de Muvinlax® em 600 ml de água às 14h00 e tomar.

No dia do Exame

  • Jejum mínimo de 4 horas;
  • A ingestão de líquidos está liberada durante todo o preparo;
  • Dentro do consultório, antes de realizar o exame, será aplicado pela equipe de enfermagem 1 ampola de phosfoenema pela via retal.

 

Importante: os laxantes ingeridos na véspera do exame não necessariamente irão promover evacuações, mas auxiliam no resultado da aplicação do phosphoenema.

 

O preparo no dia do exame com o phosphoenema irá acontecer da mesma forma, independentemente de evacuações na véspera, pois é a parte mais importante do preparo intestinal.

Medicações alternativas caso você não encontre o Muvinlax® para tomar na véspera do exame.

  • Dulcolax® (Bisacodil – 5 mg)
    • Tomar 2 comprimidos às 08:00 e 2 comprimidos às 14:00;
  • Guttalax® (picossulfato de sódio – gotas)
    • Tomar 20 gotas às 08:00 e 20 gotas às 14:00.

 

Estas duas medicações determinam com frequência cólica intestinal, às vezes de forte intensidade, motivo pelo qual o preparo com Muvinlax® é melhor.

 

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Exame de ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Identifica-se endometriose profunda localizada no ligamento útero-sacro direito que encontra-se espessado. As setas brancas assinalam a endometriose.

Qual exame é melhor? Ressonância magnética ou ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Ambos os exames apresentam elevada acurácia na pesquisa da endometriose. A vantagem do ultrassom transvaginal com preparo intestinal é a identificação de endometriose de pequenas dimensões, avaliação da endometriose intestinal e na identificação de aderências, por ser um método dinâmico.

 

A vantagem da ressonância magnética é na avaliação de pequenos endometriomas, especialmente quando muito distantes do transdutor transvaginal, em mulheres com útero de grandes dimensões e na avaliação da endometriose no diafragma.

 

Outra vantagem da ressonância magnética em relação ao ultrassom transvaginal com preparo intestinal é a possibilidade de um novo laudo, fornecido por outro radiologista, o que não pode ser feito no caso do ultrassom, pelo fato de ser um exame dinâmico e depender exclusivamente das imagens obtidas pelo médico no momento do exame.

 

Em abril de 2019 uma publicação cientifica demonstrou que a utilização simultânea dos dois exames na avaliação da pesquisa de endometriose pode gerar uma acuraria próxima de 100% para o diagnóstico.

 

ultrassom especializado pra pesquisa de endometriose

Imagem de ultrassom transvaginal com preparo intestinal, evidenciando endometriose no apêndice.

Dúvidas frequentes

O ultrassom transvaginal com preparo intestinal dói?

O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é um exame muito mais demorado que um ultrassom transvaginal simples, encosta em lugares diferentes e por estes motivos acaba incomodando mais.

 

A maior parte das mulheres que fazem este exame não sentem mais dor quando comparado com o exame simples, embora algumas mulheres possam sentir dor quando o equipamento encosta na endometriose.

O exame é feito pelo convênio?

No meu consultório você pode fazer o exame pelo seu convênio utilizando o reembolso. Para informações sobre o preço do exame, entrar em contato com o agendamento.

 

Ultrassom para endometriose em pacientes virgens

Nas pacientes virgens o exame de mapeamento pélvico da endometriose pode ser feito pela via retal, com a mesma qualidade da via transvaginal

 

Agora que você já sabe um pouco sobre o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, agende seu exame com o Dr. Fernando Guastella e tire todas as suas dúvidas.

 

Você sabe o que é Ginecologia Integrativa?

 

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Referências bibliográficas

  1. Acurácia do ultrassom transvaginal versus ressonância magnética no diagnóstico da endometriose retossigmóide: revisão sistemática e metanálise. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30964888;
  2. Acurácia do Ultrassom Transvaginal para Diagnóstico de Endometriose Profunda no Retossigmoide: Revisão Sistemática e Meta-Análise. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26213903/;
  3. Abordagem sistemática da avaliação ultrassonográfica da pelve em mulheres com suspeita de endometriose, incluindo termos, definições e medidas: uma opinião de consenso do grupo International de Analise da Endometriose Profunda (IDEA). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27349699/;
  4. Diagnóstico por ultrassom de endometriose e adenomiose: estado da arte. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29506961/;
  5. Ultrassonografia para Endometriose Profunda Infiltrativa e Ovariana. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28076877/;
  6. Ultrassom transvaginal versus ressonância magnética para diagnóstico de endometriose profunda infiltrativa profunda: revisão sistemática e metanálise. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29154402/;
  7. Recomendações para ultrassonografia em ginecologia. Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia. https://www.isuog.org/.

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