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Endometriose na bexiga: sintomas, diagnóstico e tratamento.

Endometriose na bexiga

Endometriose na bexiga: sintomas, diagnóstico e tratamento

A endometriose na bexiga atinge entre 6 e 10% das mulheres com endometriose profunda e é definida quando a doença acomete a musculatura da bexiga.

 

É muito comum que focos de endometriose estejam somente encostando na bexiga, sem invadir o músculo e, neste caso, consideramos um foco de endometriose superficial.

 

O músculo da bexiga é chamado de detrusor e, portanto, um exame que relata um foco de endometriose no detrusor está se referindo a um foco de endometriose na bexiga. A doença também pode ser chamada de endometriose vesical.

 

A endometriose na bexiga geralmente está associada a outros focos de endometriose na pelve e é comum a aderência entre a bexiga e o útero, sendo a idade mais comum para o diagnóstico entre 30 e 35 anos.

Sintomas da endometriose na bexiga

Os principais sintomas da endometriose na bexiga são:

  • Dor para urinar durante o período menstrual;
  • Aumento da frequência urinária;
  • Sangue na urina durante;
  • Sintomas semelhantes aos da infecção urinária;

Na história é frequente a paciente referir infecção urinária de repetição durante o período menstrual, mas na verdade, o diagnóstico correto é endometriose na bexiga.

 

Os sintomas acima são específicos, porém são comuns outros sintomas associados, devido a endometriose também estar localizada em outros locais, como intestino, vaginaovário.

Sintomas de endometriose em outros locais:

  • Cólica forte no período menstrual;
  • Dor na profundidade durante as relações sexuais;
  • Diarreia, constipação ou dor para evacuar durante o período menstrual;
  • Dor na escápula ou ombro direito durante o período menstrual (endometriose no diafragma);
  • Infertilidade, independentemente de sintomas dolorosos;
  • Dor na cicatriz da cesárea (endometriose na cicatriz da cesárea);
  • Dor umbilical (endometriose no umbigo);
  • Fadiga crônica;
  • Distensão abdominal.

Diagnóstico

O diagnóstico de endometriose na bexiga pode ser pensado diante da história clínica, sendo que o exame físico geralmente não oferece informações importantes, além de uma bexiga dolorosa.

 

Na consultas, exame físico deve ser sempre realizado, pois traz informações adicionais sobre a endometriose profunda em outros locais, como na retrocervical, ligamento uterossacro e intestino, que podem ser palpadas em até 70% das vezes.

 

O diagnóstico deve ser feito por meio de exames específicos para a endometriose, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética.

 

Ambos os exames apresentam sensibilidade entre 90 e 100% na detecção da endometriose profunda, desde que seja realizado por um especialista em endometriose.

 

Outras doenças podem estra associadas com a endometriose, como por exemplo a adenomiose, presente em até 15% das vezes.

 

A ultrassonografia transvaginal consegue avaliar ainda, a possível aderência entre o útero e a bexiga, informação importante para o tratamento.

 

O maior estudo científico sobre endometriose na bexiga demonstrou que a ultrassonografia transvaginal realizada com bexiga cheia é o melhor exame para o diagnóstico de endometriose vesical, com uma taxa de detecção (sensibilidade) de 100%.

 

É interessante que as lesões de endometriose na bexiga, diferentemente das lesões de endometriose profunda, com frequência apresentam pequenos cistos em seu interior.

Cistoscopia para o diagnóstico de endometriose vesical

A cistoscopia é um exame que se coloca uma câmera dentro da bexiga, sendo possível avaliar com detalhes a parte interna da bexiga.

 

É um exame importante para o diagnóstico de tumores e cálculos, sendo possível a realização de biópsias quando necessário.

 

A cistoscopia consegue detectar somente cerca de 70% das lesões de endometriose na bexiga, pois a doença acontece na musculatura e não na parte interna (mucosa).

 

Apenas lesões grandes que invadem a musculatura e a camada interna da bexiga (mucosa), podem ser percebidas durante o exame.

 

ultrassom mostrando endometirose na bexiga

Foto de ultrassom transvaginal mostrando uma imagem endometriose vesical. Repare na presença de bolinhas pretas na lesão, compatível com pequenos cistos.

Estágios da endometriose

A endometriose é dividida em estágios, de acordo com a quantidade de tecido e na profundamente que ele se estende aos órgãos. Esta classificação deve ser realizada antes da cirurgia, pelos métodos de imagem.

  • Estágio 1: Mínimo. Tem apenas pequenas quantidades de tecido crescendo, e só é encontrada na superfície ou ao redor dos órgãos.
  • Estágio 2: Leve. Tem um crescimento de tecido mais extenso, mas ainda está na superfície dos órgãos, e não dentro deles.
  • Estágio 3: Moderado. Tem um tecido mais disseminado, que começou a crescer dentro dos órgãos pélvicos.
  • Estágio 4: Grave. Tem muito tecido endometrial, que está crescendo dentro de vários órgãos pélvicos.

A endometriose na bexiga geralmente é um estágio 3 ou 4 na maior parte das vezes.

O que causa endometriose da bexiga?

Não se sabe a certo o que causa a endometriose na bexiga, mas postulam-se algumas teorias:

  • Menstruação retrógrada: durante a menstruação, o sangue flui para trás através das trompas de Falópio e para a pelve, em vez de sair pela vagina. Essas células então, se implantam na parede da bexiga na mulheres com tendência para a endometriose, sendo a teoria mais aceita.
  • Transformação celular precoce: as células que sobraram do embrião se transformam em tecido endometrial.
  • Cirurgia prévia: células endometriais se fixam na bexiga durante uma cirurgia prévia, como uma cesárea ou histerectomia. Esta forma da doença é chamada endometriose da bexiga secundária.
  • Transplantação: as células endometriais viajam através do sistema linfático ou do sangue para a bexiga.

Tratamento da endometriose na bexiga

O tratamento das mulheres com endometriose deve sempre ser focado em resolver os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

 

O tratamento de escolha para a endometriose na bexiga é a cirurgia, porém, não deve ser realizada em mulheres assintomáticas.

A cirurgia de endometriose deverá ser feita para tratar todos os focos de endometriose e não somente a doença na bexiga e, portanto, é necessário um adequado estadiamento da doença, para planejar o tratamento e uma equipe multidisciplinar deve estar envolvida no ato cirúrgico.

 

É recomendado que um urologista participe da cirurgia, toda vez que a endometriose acometer a bexiga perto dos ureteres, o chamado trígono vesical ou o ureter propriamente.

 

Nas mulheres que não querem ou não podem realizar a cirurgia, o tratamento da endometriose visa diminuir a dor e melhorar a qualidade de vida.

 

O tratamento hormonal e tratamentos alternativos podem ser realizados nestas situações, idealmente em conjunto, mas também isoladamente.

 

Os medicamentos de escolha são as progesteronas, que podem ser encontradas em pílulas, DIUs como o Mirena e o Kyleena, implantes ou na forma injetável intramuscular.

 

O tratamento hormonal combinado com progesterona e estrogênio, como as pílulas, adesivos transdérmicos e o anel vaginal são boas opções para mulheres que não se adaptaram com a progesterona isoladamente.

 

Dietas com gordura de boa qualidade, como o omega 3, demonstraram redução no risco de desenvolvimento de endometriose, além de diminuir os risco de doenças crônicas e gerar bem estar e, por isso, as orientações alimentares são importantes.

Endometriose no uterer

O ureter é uma estrutura que leva a urina do rim para a bexiga.

 

A endometriose no ureter acomete cerca de 3% das mulheres com endometriose profunda. Sua importância está no fato da lesão no ureter determinar acúmulo de urina no rim, a chamada hidronefrose.

 

A hidronefrose crônica determina perda da função do rim no lado acometido e, por este motivo toda vez que há doença no ureter com hidronefrose, a cirurgia deve ser realizada.

 

Mesmo mulheres sem sintomas devem ser operadas, para preservar a função do rim.

 

A dilatação do ureter não determina dor no rim, como acontece na cólica renal causada por uma pedra. 

 

Embora seja considerada um tipo de endometriose urinária, na maior parte das vezes a endometriose no ureter não está associada com endometriose na bexiga, mas sim com endometriose profunda nos ligamentos uterossacros e no paramétrio.

Infertilidade e endometriose

Infertilidade é definida quando um casal tenta engravidar por um ano e não consegue, e está presente em cerca de 30-50% das mulheres com endometriose.

Como as mulheres com endometriose na bexiga geralmente tem muitos outros focos de endometriose na pelve, a chance de infertilidade é alta.

 

Os mecanismos relacionados com a infertilidade são devidos a obstrução das trompas por endometriose e ao processo inflamatório  crônico na pelve, dificultando a implantação do bebê dentro do útero.

Gravidez e endometriose

Endometriose e gravidez é um questionamento frequente no consultório.

 

Evidências científicas demonstram que mulheres com endometriose que engravidam, apresentam um risco maior para parto prematuro, bebê pequeno, abortamento e placenta baixa.

 

gravidez e endometriose

 

Embora estes riscos sejam aumentados é importante destacar que o mais provável é que tudo dê certo. 

 

Agora conheça o Dr. Fernando Guastella e, se precisar, agende uma consulta

 

                                                 kyleena

 

 

Médico ginecologista especialista em endometriose na bexiga
Dr. Fernando Guastella, ginecologista pela USP e especialista em endometriose.

 

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Referências bibliográficas (fontes)

  1. Endometriose da bexiga: uma revisão sistemática da patogênese, diagnóstico, tratamento, impacto na fertilidade e risco de transformação maligna. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28040358/
  2. Diretriz ESHRE: Manejo de Mulheres com Endometriose. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24435778/;
  3. Endometriose profunda afetando a bexiga: resultados a longo prazo do tratamento cirúrgico. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23778640/;
  4. Cirurgia versus terapia hormonal para endometriose profunda: é uma escolha do médico? https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27544308/;
  5. Healthline;
  6. medicalnewstoday.
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