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Endometriose no ovário: sintomas, diagnóstico e tratamentos

Endometriose ovariana

Endometriose no ovário: sintomas, diagnóstico e tratamento

A endometriose no ovário é caracterizada pela formação de um cisto no ovário, chamado endometrioma.

 

O endometrioma apresenta sangre em seu interior, proveniente das lesões de endometriose para dentro do ovário.

Endometriose é uma doença caracterizada pela presença de células do endométrio fora do útero. 

 

A endometriose acomete cerca de 10% das mulheres durante o período reprodutivo, ou seja, durante o período em que as menstruações ocorrem.

 

Quase sempre a endometriose no ovário está associada a outros focos de endometriose superficial e profunda.

 

A endometriose no ovário é um dos tipos de endometriose.

Tipos de endometriose

Existem 8 tipos de endometriose. 

Sintomas da endometriose no ovário

Os sintomas da endometriose no ovário geralmente são decorrentes dos outros focos de endometriose, comumente encontrados na endometriose ovariana.

 

Os principais sintomas são:

  • Cólica no período menstrual;
  • Dor pélvica crônica;
  • Dor durante as relações sexuais especialmente na profundidade;
  • Diarreia ou constipação ou dor para evacuar no período menstrual;
  • Dor para urinar durante o período menstrual;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Dor na cicatriz da cesárea (endometriose de parede abdominal);
  • Saída de secreção, sangue ou dor umbilical (endometriose umbilical);
  • Dor no ombro direito durante a menstruação (endometriose no diafragma);
  • Infertilidade, independentemente de sintomas dolorosos;
  • Distensão abdominal;
  • Fadiga crônica.

Diagnóstico da endometriose no ovário

O diagnóstico da endometriose no ovário deve ser realizado por algum método por imagem.

 

Os melhores exames são o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética.

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal para o diagnóstico da endometriose no ovário

O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o melhor método para o diagnóstico da endometriose profunda.

 

Diversos artigos científicos têm demonstrado que o exame possui uma capacidade diagnóstica entre 90 e 100%, quando realizado por um médico especialista em endometriose e deve ser o exame inicial na mulher com sintomas de endometriose.

 

Algumas vezes, especialmente para cistos pequenos, o ultrassom transvaginal pode ficar na dúvida se o cisto presente no ovário é um endometrioma ou um cisto de ovulação, pois ambos apresentam sangue como conteúdo do cisto.

 

Nestas situações é importante repetir o exame, já que os cistos de ovulação desaparecem rapidamente e o acompanhamento, desta forma, define o diagnóstico.

 

Para evitar esta situação, é importante fazer o exame de ultrassom transvaginal sempre nos 14 dias após o início da menstruação.

Ressonância magnética para o diagnóstico da endometriose no ovário

ressonância magnética da pelve é um exame muito solicitado para o diagnóstico das mulheres com suspeita de endometriose profunda e ovariana.

 

O exame possui a capacidade de avaliar toda a pelve, com excelente resolução de imagem.

 

A capacidade diagnóstica para a ressonância magnética é em torno de 90 a 100%, quando realizada por um radiologista especialista em endometriose.

 

A ressonância magnética é o melhor exame para o diagnóstico da endometriose ovariana, pois é possível diferenciar se o sangue dentro de cisto é novo ou antigo e, portanto, não haveria dúvida entre um cisto de ovulação ou um endometrioma.

Princípios do tratamento da endometriose no ovário

O tratamento da endometriose ovariana deve levar em consideração a intensidade dos sintomas, a localização dos outros de endometriose e do desejo reprodutivo imediato e futuro.

 

É importante também a satisfação e opinião da paciente com o tratamento escolhido, inclusive durante o acompanhamento.

 

Todas as alternativas de tratamento devem ser levadas em consideração, como o tratamento hormonal, cirurgia de endometriose, procedimentos de fertilização, e ablação com álcool guiado por ultrassom.

Tratamento do endometrioma com hormônios

O objetivo do tratamento hormonal é eliminar o efeito do estrogênio sobre a endometriose, pois este hormônio é o responsável pelo crescimento dos focos da doença. 

 

Para alcançar este objetivo pode-se utilizar medicamentos que diminuem a produção do estrogênio, ou medicamentos que bloqueiam os efeitos do estrogênio nos tecidos.

 

A endometriose ovariana apresenta excelente resposta ao uso dos hormônios.

 

Diversos estudos têm demonstrado redução, ou até mesmo o desaparecimento da endometriose ovariana com o uso de progesteronas, especialmente o dienogeste, ou da associação de progesterona e estrogênio.

 

Para mulheres sem desejo reprodutivo imediato, é uma ótima alternativa.

 

É importante destacar que o DIU com progesterona, cujo nome comercial no Brasil é Mirena®, não impede as ovulações e, portanto, não é a medicação de escolha para o tratamento da endometriose no ovário.

Tratamento da endometriose ovariana com cirurgia

O tratamento cirúrgico dos endometriomas deve ser sempre realizado por cirurgia minimamente invasiva, como a laparoscopia e com muita técnica, para retirar somente o cisto com a cápsula, preservando a maior parte do parênquima ovariano.

 

Quando a cirurgia para a endometriose no ovário é realizada com técnica apurada, a diminuição da reserva ovariana é mínima ou ausente.

 

O tratamento cirúrgico da endometriose quase sempre é decorrente dos sintomas relacionados com a endometriose profunda associada, e não com a endometriose no ovário.

 

Quando se opta pela cirurgia, é importante retirar todos os focos de endometriose na pelve e não somente a endometriose no ovário, do contrário, os sintomas retornam.

 

O diagnóstico de todas as lesões de endometriose profunda deve ser realizado antes da cirurgia pelos exames de imagem e uma equipe multidisciplinar especializada deve realizar a cirurgia.

 

Alguns endometriomas podem se transformar em tumores malignos, sendo os tumores mais comuns o carcinoma de células claras e o carcinoma endometrioide. 

 

Estes tumores sempre apresentam estas áreas sólidas vascularizadas projetando-se para o interior do cisto, as chamadas de papilas vascularizadas. A chance de um endometrioma com área sólida vascularizada ser um tumor maligno é em torno de 50%.

 

A cirurgia para o tratamento do endometrioma, portanto, está sempre indicada quando foi identificada papila vascularizada em um endometrioma, detectada pela ultrassonografia transvaginal ou pela ressonância magnética.

 

Endometriomas com áreas sólidas sem vascularização são comuns e este achado isolado não é uma indicação cirúrgica, pois possuem risco de malignidade muito baixo.

 

Toda cirurgia para tratamento de um endometrioma determina diminuição da reserva ovariana, ou seja, da quantidade total de óvulos que a mulher possui.

 

O tratamento hormonal da endometriose ovariana após a cirurgia diminui a chance de recidiva da endometriose.

Tratamento da endometriose no ovário com álcool

A endometriose ovariana pode ser tratada com a aspiração do endometrioma por uma agulha, guiada pela ultrassonografia transvaginal.

 

Na sequência coloca-se álcool 95% dentro do endometrioma. Este procedimento é chamado alcoolização do endometrioma.

 

Diversos estudos têm demonstrado que a alcoolização do endometrioma é eficaz no tratamento da endometriose ovariana, com baixas taxas de recidiva.

 

Infertilidade e endometriose

A infertilidade está presente em cerca de 30-50% das mulheres com endometriose profunda.

 

A infertilidade é determinada por obstrução das trompas pela endometriose ou pelo processo inflamatório crônico na pelve, que dificulta a implantação do bebê no útero.

 

Um casal que apresenta infertilidade em decorrência da endometriose profunda tem duas alternativas principais.

  • Fazer o tratamento cirúrgico da endometriose e depois tentar engravidar espontaneamente;
  • Realizar um procedimento de reprodução assistida.

A decisão tem que ser do casal, após entenderem os prós e contras.

Fatores a favor da cirurgia antes da fertilização in vitro (FIV):

  1. Resolução dos sintomas dolorosos;
  2. Possibilidade de engravidar espontaneamente após a cirurgia;
  3. Pacientes que não aceitariam engravidar por procedimentos de FIV;

Fatores a favor da FIV como primeira opção

  1. Mulheres sem sintomas dolorosos a FIV trata a infertilidade, consideração importante, pois mulheres sem sintomas de dor não deveriam ser operadas;
  2. Pacientes bem controladas clinicamente com hormônios, após a gestação poderão retomar as medicações, sem a necessidade de cirurgia.
  3. Possibilidade de não engravidar espontaneamente após a cirurgia e atrasar a gestação por FIV.
  4. Diminuição da reserva ovariana em decorrência da cirurgia, especialmente nas mulheres com endometriose no ovário.

FIV e endometriose no ovário

 

A decisão, portanto, deve ser do casal e o ginecologista deve estar disponível para responder os questionamentos.

Gravidez e endometriose

Endometriose e gravidez é um questionamento frequente no consultório.

 

Evidências científicas demonstram que mulheres com endometriose apresentam maior risco para parto prematuro, bebê pequeno, abortamento e placenta baixa.

 

Endometriose ovariana e gravidez

 

No início da gestação é importante também ficar atento a possibilidade de gestações fora do útero, a chamada gestação ectópica, mais comum em mulheres com endometriose.

 

Embora existam riscos é importante destacar que o mais provável é que tudo dê certo com a gestação. 

 

Agora que já sabe um pouco sobre endometriose no ovário, agende uma consulta com o Dr. Fernando Guastella e tire todas as suas dúvidas.

 

                                                       kyleena

Médico ginecologista especialista em endometrioma
Dr. Fernando Guastella, ginecologista pela USP e especialista em endometriose.

 

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Referências bibliográficas (fontes)

  1. Diretriz ESHRE: Manejo de Mulheres com Endometriose. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24435778/;
  2. Dienogest ou acetato de noretindrona para o tratamento de endometriomas ovarianos: podemos evitar a cirurgia? https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31132690/;
  3. Acurácia da ultrassonografia transvaginal versus ressonância magnética no diagnóstico da endometriose retossigmóide: revisão sistemática e metanálise. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30964888;
  4. Terapia adjuvante de longo prazo para a prevenção da recorrência de endometrioma no pós-operatório: uma revisão sistemática e meta-análise. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22646295;
  5. Ablação da endometriose ovariana com álcool: revisão sistemática e metanálise. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28579409/;
  6. Endometriose e complicações obstétricas: revisão sistemática e metanálise. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28874260.
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